- 13 de Setembro de 2007
O que é Alimento Transgênico?
- O mundo todo está preocupado, inquieto, com os alimentos transgênicos. Nada mais natural, desde o domínio do fogo, na antiguidade, a humanidade se assusta com o poder da tecnologia...
- Quando Copérnico afirmou que a Terra não era o centro douniverso, foi excomungado. Da mesma forma, os primeiros cientistas foram considerados "feiticeiros" e hereges.
Mais tarde, Einstein desenvolveu a teoria da relatividade e questionou a rigidez dos conceitos físicos. Foi um tiro mortal na ortodoxia. Com a teoria da relatividade, aumentou a insegurança dos modelos explicativos do mundo. Tudo passou a ser relativo. O saber absoluto ruiu.
É aqui, nos marcos da epistemologia e da religião, que a polêmica sobre os alimentos geneticamente modificados precisa ser inicialmente entendida.
Descobrir que os seres da Natureza podem trocar germoplasmas significa, que as espécies são todas parentes entre si. No limite, o ser humano guarda relações genéticas com todas as espécies vivas do planeta. A descoberta da insignificância humana frente à Natureza é chocante na ótica conservadora.
Transferir genes de uma espécie para outra, criando um ser vivo funcional, afronta à ordem natural das coisas estabelecida por Deus. Esta a primeira grande objeções aos organismos geneticamente modificados. Os transgênicos seriam "antinaturais" e, portanto, obrigatoriamente detestáveis.
Alimentos transgênicos são alimentos que através de sua composição genética é adicionado um outro gene para melhorar sua formação protetora ou nutricional frente às intempéries de seu habitat. Este gene adicionado pode ser provido de uma célula animal, vegetal ou sintético, não interferindo em sua composição básica do DNA e sim acrescentando alguma função ou composto nutricional.
Esta adição até o momento pesquisado sabe-se que não afeta as características organolépticas do produto.
Onde Surgiu e por quê?
Em 1972, os cientistas descobriram que bactérias do gênero Agrobacterium transferiam partes de seu germoplasma para plantas hospedeiras, fazendo-as produzir açúcares importantes para seu crescimento. Esse evento mostrava a possibilidade real da transferência de carga genética interespécie. Uma década depois, em Gent, na Bélgica, os cientistas conseguiram efetuar a transgênese com interesses agronômicos. O aprimoramento da tecnologia permitiu, nessa mesma época, que bactérias geneticamente modificadas fossem destinadas para a produção de insulina humana. Os diabéticos comemoraram. A ciência tinha dado um passo fundamental.
A biotecnologia vinha modificando geneticamente os organismos vivos havia décadas. A seleção genética, desde os tempos remotos, promove através da seleção "massal" o melhoramento das espécies vegetais e animais de interesse humano. Sempre as melhores sementes foram guardadas para plantio na safra seguinte. Assim os cereais, principalmente o trigo, milho e arroz, puderam se transformar em cultivos alimentares. Nos animais, o mesmo processo gerou raças superiores.
Com a biotecnologia veio a melhoria de suas lavouras, de sua produtividade e também de conhecimentos científicos colocados em prática, muitas vezes sem o agricultor dar a conta que já o fazia sem o conhecimento teórico, então veio o aprimoramento de suas sementes e de melhor qualidade ao produto final.
O alimento geneticamente modificado foi introduzido no mundo pelos seguintes objetivos:
1. Aumentar a produtividade de determinadas culturas pela seleção de variedades que apresentam: Resistência a doenças e pragas; Resistência a encharcamentos e à seca; maior resposta ou independência a fertilizantes; Tolerância a condições ambientais hostis, como solos ácidos e ou salgados, etc.
2. Aumentar o valor de culturas de interesse socioeconômico, selecionando características como: Maior conteúdo de óleo; Maior valor nutritivo; Maior facilidade de colheita e armazenagem; Independência da proteção por produtos químicos.
Até poucos anos atrás, a única maneira de alcançar estes objetivos era através dos métodos clássicos de cruzamento da genética mendeliana; assim o alimento poderia ser colocado no mercado entre 5 a 15 anos, já com o advento da biotecnologia e aprimoramento dos métodos, o mesmo alimento, pôde ser posto no mercado em pouco tempo.
Os métodos biotecnológicos permitem não somente reduzir o tempo da obtenção de variedade com novas características, mas também transmitir propriedades de espécies que, normalmente, são sexualmente incompatíveisAlém disso, com os métodos da biologia molecular moderna, isolar e manipular genes específicos, o que não acontece no melhoramento clássico, onde o melhorista é obrigado a trabalhar com genomas inteiros.
Métodos
Existem dois métodos no que tange a alimento transgênico: o tradicional e o biotecnológico. Cada um subdivide em dois itens.
No método tradicional temos os enxertos e os de segmentação foliar, já no método biotecnológico temos a eletroposição de protoplastos e células vegetais e a biobalística.
Quais são os Alimentos?
Os alimentos que fazem parte deste assunto em roga tão relevante nos tempos atuais são o tomate, a laranja, o milho, a maçã, a batata, o feijão e a rainha de toda a confusão e polêmica, a soja entre outros.
A laranja na região Noroeste Paulista, assim, como o limão, são produtos cultivados para exportação e produção de sucos, porém seus frutos são sem sementes. Pois estas deixam sabores desagradáveis no produto e tendo que mascará-lo com aditivos. O Brasil é um dos maiores exportadores de frutos cítricos sem sementes para os países da América do Norte, Europa e Ásia, por serem frutos mais doces e de excelente qualidade para o fim final que noventa por cento segue, o suco de fruta.
O milho híbrido na década de 70 e início de 80, foi produzido para obter diferentes teores de amilose e amilopectina, assim como o milho waxy para a produção de amidos modificados.
Já o tomate através do chamado tomate longa vida, provém de sua transgênese do tomate Flavr-Savr, onde retarda o seu amadurecimento.
A maçã cujos cultivares mais plantados são do tipo Gala e Fuji (78% por cento da área plantada no país) possuem uma aceitação no mercado consumidor interno e externo.
A maçã como o melão, apresenta frutos climatéricos, com aumento apreciável de produção de etileno precedendo a maturação.
A concentração endógena de etileno nos diversos frutos de clima temperado é variável conforme a espécie e a cultivar.
A produção de etileno, entre outros fatores, é responsável pelo grau de perecibilidade e capacidade de armazenamento de frutas climatéricas como a maçã, pêra e pêssego, o que causa muitas vezes, um elevado índice de perdas pós-colheitas.
Estudos verificaram que a redução da ação e/ou da produção de etileno prolongava o período de conservação das maçãs, isto ocorreu com a transgênese da maçã com plasmídeo pGA 643, que também se encontra no mercado de consumo atual.
A batata atualmente é uma das mais importantes cultivar no Brasil, com cerca de 45000 hectares plantados, 25% da área total de cultivo no país.
O feijão com seu gene num meio BAP (benzilaminopurina) o qual induz a divisão celular e com o bombardeamento de células de cultivares de elite e com o vírus MGMV (causador do mosaico-dourado) faz a resistência do grão ao vírus e aumento de produção entre 40 e 85%.
A soja Roundup Ready controla 9% a mais as plantas daninhas e resulta em um aumento médio de 5% na produtividade e ao mesmo tempo em que permite uma redução de até 30% no uso de herbicidas e agrotóxicos.
O advento da soja Roundup Ready se proliferou devido a sua má apresentação ao mercado consumidor e mundo científico quando de sua descoberta, colocando a palavra HERBICIDA, caso contrário teria sido aceita normalmente pelas duas classes mencionadas. Este tipo de soja foi inoculado em seu gene um sintético para inibir o crescimento de certas ervas daninhas, sem que o produto venha ter em sua composição herbicida, como vem sendo anunciado pela mídia semi-analfabeta.
Um caso clássico e claro de aceitação populacional de produto é a colza, como sempre foi conhecida, é uma planta rica em óleo, mas com uma forte restrição ao uso humano, devido aos altos teores de ácidos linolêicos, tóxicos para muitas pessoas. Cientistas do Canadá desenvolveram, durante anos, por meio do melhoramento genético, uma variedade de colza não tóxica e batizaram-na de Canadian Zero Linoleic Acid, no esquema abaixo verificará como é conhecida popularmente e aceita totalmente pela classe do consumidor como a classe científica-tecnológica e também pela classe médica mundial.
CANADIAN ZERO LINOLEIC ACID, dár-seá: CANOLA
Quais as empresas?
As empresas: MONSANTO, NOVARTIS dominam o mercado transgênico porém existem outras na concorrência, como: CARGILL, MOGEN, PIONEER, DU PONT, AVENTIS, AGREVO, ZENECA, ASGROW, DOW CORNING, PGS, CIBA, GLEIGY.
Na década de setenta enquanto as empresas citadas foram para o ramo farmacêutico transgênico, a Monsanto ficou e se desenvolveu no ramo agrícola, já que suas concorrentes não acreditavam que o FDA (Food and Drugs Administration) liberassem o plantio de sementes transgênicas. Quando aconteceu o que não esperavam, as concorrentes tinham que ir atrás do prejuízo, e a forma delas foram lançar na mídia, vários fatores equivocados sobre as plantas transgênicas, sem base e estudos científicos.
Atualmente, a briga comercial entre as multinacionais no mundo é somente em questão de lucros fantásticos que os alimentos agrícolas transgênicos trará para elas, e com isso querem bloquear, frear o desenvolvimento tecnológico da maior delas, a Monsanto, para que todas possam chegar ao mesmo nível de estudos e por conseguinte terem uma fatia do lucro que a Monsanto vem tendo com sua tecnologia agrícola.
Legislação Brasileira e CTNBio
A legislação brasileira sobre os transgênicos foi criada em 1990 e sancionada em 1995, a lei 8974/95, pelo então na época Senador e hoje o atual vice-presidente do Brasil Marco Maciel, trata-se juntamente com a Lei da Biossegurança e a criação da CTNBio - Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, instituição norteadora do desenvolvimento da moderna biotecnologia no Brasil.
A CTNBio iniciou as atividades em junho de 1996, competindo a ela:
estabelecer normas; regulamentos relativos às atividades transgênicas, seja: projetos, construção, cultivo, manipulação, uso, transporte, armazenamento, comercialização, consumo, liberação e descarte de produto.
Ao longo destes quase quatro anos de existência foram emitidos: 18 instruções normativas; credenciamento de 120 instituições, as quais receberam o CQB - Certificado de Qualidade em Biossegurança.
Alimentos Transgênicos Industrializados
Atualmente existem muitos alimentos transgênicos ou derivados de transgênicos no mercado tanto nacional como internacional. Já que até outubro de 1999 não existia nenhuma restrição industrial e comercial de alimentos transgênicos. A partir desta data, elaborada uma lei mundial onde todos os alimentos transgênicos devem aparecer em seus rótulos de embalagem a descrição alimento ou derivado de transgênico.
Em referência ao tomate longa vida tem-se a produção de massa de tomate, molhos e alimentos preparados e semi-prontos, tomares secos como aperitivos e sucos.
No que concerne a milho, temos amidos, amidos modificados, glucoses, high maltoses, dextroses, balas e chocolares, alimentos infantis.
Com a soja vai desde o óleo comum até farinhas nutricionais e aditivos alimentares. A batata tem-se a batata-frita, purês e alimentos infantis.
As frutas têm-se as balas, doces, compotas, geléias e licores além de sucos engarrafados.
Neste item não foi colocado as marcas ou o tipo propriamente de produtos transgênicos devido a ética comercial e profissional perante as empresas, já que estas até o momento não se pronunciaram em referência em adotar logo as novas rotulagens, já que a lei está aprovada, porém todas as indústrias possuem um prazo para se adequar a lei, ou seja, até dois anos após a sua aprovação.
Texto resumido de Rupérsio Conrado.
Para obter o Artigo na íntegra entre em contato através do e-mail: operacional@institutochicomendes.org.br
