- 19 de Dezembro de 2008
Origens de um novo estilo de vida: sustentável?
Introdução
Geralmente recebemos a informação fragmentada, sem mencionar porque os fatos aconteceram, o que isso representa e muito menos alguma informação que nos permita evita-los. Por isso acho importante situar nossa ciência e nossa sociedade para que possamos entender melhor o porquê de tantos acontecimentos catastróficos na atualidade.
A história da civilização ocidental é, em larga escala, a história de alguns poucos, porem grandes, movimentos culturais, a saber a Renascença, o Barroco, o Iluminismo e o Romantismo, cuja sucessão de um após o outro veio se verificando desde o período medieval até o século XIX. Cada um deles não apenas mostrou características específicas em suas filosofia, literatura, arte e ciência, mas significaram um novo estilo de vida, culminando na formação de um tipo ideal de homem (ELLENBERGER; 1971).
Uma ciência é, antes de tudo, um movimento de época que aglutina diversos pensadores em diversas regiões (SCHULTZ; 2006). Entretanto, a ruína de uma tradição em declínio não inaugura em si mesma, uma nova (ELLENBERGER; 1971). Essas mudanças ocorrem progressivamente e em épocas distintas, formando uma nova identidade que reflete nos avanços da ciência, na forma como os indivíduos atuam e desenvolvem suas atividades.
O tema sustentabilidade, foi desenvolvido a partir das conferências internacionais de proteção ao meio ambiente, impulsionados nas décadas de 60, basicamente, pelo fator “aquecimento global”, devido ao aumento da quantidade de gás carbônico e outros gases responsáveis pelo efeito estufa. Observa-se a congruência com o movimento hippie e com a contracultura. Vias marginais do “politicamente correto” da época. Porém a mudança de Zeitgeist que impulsionou, tanto a degradação ambiental e os padrões de consumo atuais, como também, movimentos de preservação decorrentes dos impactos gerados por esses padrões; não surgiram nos tempos atuais.
Origens
Quando a Europa estava politicamente, começando a deixar pra trás a velha organização feudal, conduzindo-se na direção de um novo desenvolvimento dos estados nacionais. Até então, a Igreja havia exercido um papel de um punho cerrado, firme, sobre as classes médias e baixas da população. Mas era chegado o momento de a Europa se ver sob o encanto de uma nova filosofia (um novo Zeitgeist), e esta nova filosofia era o Iluminismo, o qual proclamava a primazia da Razão sobre a Ignorância, sobre a superstição e a tradição cega. Sob o guia da Razão, a humanidade estaria fecundada a seguir por um caminho de progresso ininterrupto, rumo a um futuro de felicidade universal. Na Europa ocidental, o Iluminismo havia desenvolvido tendências radicais que estavam para se materializar mais tarde, nas revoluções americana e francesa (ELLENBERGER; 1971). Um fato interessante na história da humanidade é que, somente a partir de um fato extremo são revistos os valores sociais, atitudes e formas de consumo, como Hitler, Hiroshima, etc. por mais que alguns movimentos culturais ou sociais “alertem” sobre essas formas extremistas de controle que regem a humanidade. A ignorância é, e sempre foi o maior problema da Humanidade.
O Romantismo originou-se na Alemanha e lá atingiu seu o ápice de seu desenvolvimento entre 1800 e 1830 até declinar, embora tenha se difundido amplamente pela França, Inglaterra e outras nações. Seu impacto foi de tal magnitude que deixou resquícios sobre a vida cultural européia por todo o século XIX. Em seu senso mais amplo, aplicou-se a um vasto movimento que se expressou sob uma bem caracterizada perspectiva a respeito da vida.
Quaisquer que sejam as explicações acerca de sua origem, uma série de aspectos do Romantismo são essenciais:
1 - Acima de tudo estava seu profundo sentimento pela natureza, em contraste com o Iluminismo, o qual estava ao redor do Homem e encontrava sua expressão em um verso bastante citado: “O autêntico estudo da humanidade é o homem”. O Romantismo olhava para a natureza com um sentimento de profunda reverência, com Einfühlung (sentimento para com, ou empatia), com um anseio por penetrar em suas profundezas no sentido de descobrir a verdadeira relação do homem com a natureza.
2 - Por detrás da natureza visível, o romântico buscava penetrar nos segredos do “fundamento” (Grund; que significa razão, motivo, causa, solo, chão, terreno, base, fundamento, fundo) da natureza, os quais eles consideravam serem ao mesmo tempo o fundamento de sua própria alma (psiquê). Os meios para se alcançar aquele fundamento não repousavam apenas no intelecto mas também no Gemüt (que significa: índole, natureza, gênio, mentalidade, ânimo) isso é, na mais íntima qualidade da vida emocional.
3 - Em terceiro estava o sentimento por “tornar-se” (Werden: tornar-se, transformar-se, vir a ser, ficar). Enquanto o iluminismo acreditava na razão eterna e em sua fixa [e regular] manifestação na forma do progresso da humanidade, o Romantismo sustentava que todos os seres originavam-se a partir de princípios seminais, os quais desenvolviam-se nos indivíduos, nas sociedades, nações, línguas, e culturas. A vida humana não era apenas um longo período de maturidade seguido por um curto período de imaturidade, mas um processo espontâneo de desdobramento, uma série de metamorfoses (as quais Jung viria mais tarde a chamar de individuação).
4 - Os românticos alemães não apenas restauraram a língua alemã ao seu devido lugar, como também estudaram avidamente um grande número de outras culturas com seus folclores, contos populares, mitos, literatura e filosofias. Os poetas românticos foram bem sucedidos, por exemplo, em fazer de Shakespeare um poeta “da nação alemã”.
Não irei me delongar mais sobre as características do Romantismo e suas divergências sobre o Iluminismo, por questões de espaço, mas vale ainda ressaltar que o romântico depositava uma forte ênfase sobre a noção de indivíduo, destacando a absoluta singularidade de cada indivíduo, um conceito sustentado por todos os românticos (para saber mais consultar referência: ELLENBERGER; 1971).
Contudo, podemos insinuar que a Psicologia Ambiental, teve sua essência no Romantismo Alemão, mas segue uma metodologia Iluminista. A congruência das duas vertentes pode ser chamada de “Sustentabilidade”, talvez por esse motivo, muitos especialistas da área ambiental dizem que não é mais possível desenvolver e ao mesmo tempo ser sustentável.
ECO-nômia-LOGIA?
Saindo um pouco da impessoalidade que a escrita científica exige, sou obrigado a dar a minha opinião sobre o assunto; desenvolvimento sustentável não existe, como podemos desenvolver mais e preservar os recursos naturais.
A população humana não tem mais para onde ir, as cidades crescem verticalmente por não ter mais condições de irmos à horizontal, construímos prédios de 30 andares pra que? O mais engraçado de tudo isso, é que, depois reclamamos do transito! Parece lógico, que se em um espaço X, tem 20 pessoas trabalhando e depois vai pra 200 no mesmo espaço X, é lógico que, como essas pessoas se deslocam no mesmo horário o fluxo de pessoas vai ser aumentar.
Para poderemos desenvolver sustentavelmente teríamos que voltar no tempo, e mudar desde os tempos da colonização das Américas. Como não podemos, e, se mudarmos completamente nossas atitudes em prol da natureza a economia quebra, e como conseqüência, não haverá mais emprego para todos; o caos deteriorará todo um sistema complexo que é a sociedade onde vivemos. Tudo isso porque a economia é um sistema que exige da sociedade que ela degrade a natureza, explore cada vez mais os recursos naturais, estimula as pessoas a comprarem mais e mais, a terem mais filhos consumistas semi-alfabetizados que não possuem o menor senso crítico, pois se tiverem, não mais elegerão políticos predadores, e o resultado disso tudo você pode imaginar.
Mas afinal de contas, o que é a economia, quem são os investidores que tanto se falam? Onde entra a natureza que permite que a vida exista, e por conseqüência, sua economia? Existe uma comparação feita por SUZUKI (2005), diz que se voltar à idade média, uma comparação interessante seria sacrificar virgens para espantar dragões, a economia é um dragão, é um personagem mítico que exige da sociedade que ela se corrompa para a sua sobrevivência. Se você preferir também pode chamar de “Leão”.
Situação difícil a que nos encontramos, é como diz o ditado, se ficar o bicho come e se correr o bicho pega! Maquiavel, talvez tenha a solução, a melhor maneira de se derrotar o inimigo é fazer parte de seu exército (ou algo assim, não lembro direito às palavras, mas a essência é a mesma).
Mas enquanto isso não acontece, e enquanto nós não fizermos nada, podemos pensar nas palavras de Mauricio Baia na música “Bicho Homem”: “Maquinas de guerra indumentária para vestir um caçador que em vez da fera caça a sua própria espécie que se encontra encurralada, desgraça muita e porrada na lata, sem terra, enterrais na merda e deixas quem berra na miséria, sedo, fome, bicho mal, bicho homem, bicho mal, bicho homem. Talvez por dinheiro até explodiras o mundo inteiro e eu queria ser teu travesseiro como se vês como apenas mais um a chorar, sempre em busca do prazer do ouro quem te interfere perde o couro, mas tu esqueces que teu tesouro é teu coração e tudo mais que te consome, bicho mal, bicho mal, bicho homem, Tornando escassa nossa fauna e flora e tudo mais que exploras, como uma cobra que devora o próprio rabo estas em busca do fim eu digo tudo isso por mim, pressinto um futuro em que não haverá nem sombra de lembranças do teu nome, bicho mal, bicho mal, bicho homem
Referências:
ELLENBERGER, Heri F. The Discovery of the Unconscious: The history and evolution of dynamic psychiatry. USA, Basic Books, 1970 (pg:199 – 203) (Tradução de César Rey Xavier para aulas ministradas do curso de Psicologia da Universidade Tuiuti do Paraná, 2002).
SCHULTZ, Dune P. & SCHULTZ, Sidney Ellen. História da Psicologia Moderna. São Paulo: Thomson Learning, Ed. 2006. SUSUKI; David. Suzuki Speaks. Documentário. Canada, Avanti Pictures Cord. 2005.
Noazir Ferraro Junior – Psicólogo Ambiental: CRP: 08/13953.